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Aromas: Por que é tão difícil nomeá-los?

Nomes de aromas são definidos por associação

Os seres humanos não têm dificuldade em dar nomes precisos a cores. Mas, em geral, recorre a analogias para expressar os aromas em palavras. Ao longo da vida, identificamos os cheiros que nos acompanharam desde a infância, mas é difícil descrevê-los em palavras exatas.

Em uma pesquisa feita com o povo jahai, um grupo de caçadores-coletores que vive na região ocidental da Malásia, constatou-se  a facilidade para dar nomes precisos para cheiros. Em um experimento os voluntários americanos não tiveram dificuldade em dar nomes às cores. Mas o cheiro da canela foi descrito como adocicado, picante, frutado como de um vinho. Na descrição de um talco de bebê os aromas lembravam o cheiro de baunilha, de papel higiênico, de consultório de dentista, creme para mãos e chiclete. Mas no mesmo experimento, os jahai não hesitaram em dar nomes precisos aos cheiros.

O pesquisador sugeriu que a capacidade de os jahai em denominar odores devia-se ao fato de terem um determinado número de palavras destinadas a descrever tipos de cheiros importantes para seu dia a dia nas florestas. Por exemplo, os jahai usam a palavra “cŋεs” para cheiros associados a gasolina, fumaça e vários insetos. Já a palavra “plʔeŋ” para cheiro de sangue, carne ​e peixe.

A importância dos aromas facilitam na sua nomeação

Para testar a importância do uso de palavras abstratas para designar cheiros, foi observedo dois outros grupos de povos da Malásia. Os semaq beri, que também são caçadores-coletores, e os semelai, que cultivam arroz. Embora tenham vidas diferentes, suas línguas estão intimamente relacionadas e ambos vivem nas florestas.

Os pesquisador pediram a 20 semaq seri e a 21 semelai para dar nomes a odores e cores. As cores estavam expostas em 80 cartões e os cheiros em 16 varetas perfumadas.  Eles constataram que os semaq beri usaram termos abstratos para designar cheiros em 86% dos casos e em 80% das cores. Os semelai, por sua vez, tinham um vocabulário rico para cores em 78% dos casos. Mas não tinham a mesma riqueza linguística para odores. Neste caso, o número de palavras se limitou a 44% e o restante baseou-se em analogias, como cheiro de banana.

Dadas essas descobertas, concluiu-se que o estilo de vida nômade dos caçadores-coletores nas florestas criava um vocabulário específico para cheiros. Isto permite alertar os companheiros da proximidade de animais perigosos, ou para encontrar alimentos vitais à sua sobrevivência.

Fonte: The Economist

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