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Identidade olfativa nas artes

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A escultura “Tree Virus”, de Peter De Cupere, não é grande coisa: uma árvore morta, escura, colocada sobre uma bola branca irregular suspensa sobre um buraco e coberta por um iglu de plástico. A coisa toda podia muito bem passar por restos do cenário de um filme de Tim Burton – não fosse pelo sua identidade olfativa marcante.

Dentro do iglu, uma combinação potente de menta e pimenta-do-reino deixa o ar carregado, enche o nariz e agride os olhos. Muitos visitantes choram; outros tantos fogem. Há também quem se divirta, rindo através das lágrimas.

Mesmo que possa parecer estranho, é inegável notar o poder da identidade olfativa nas pessoas.

Quando você se aproxima de uma instalação com cheiro, não dá para disfarçar. Seu corpo inteiro começa a reagir. Quando olha para alguma coisa, começa a pensar sobre ela, mas eu quero que as pessoas sintam o impacto do trabalho – explica De Cupere, artista belga que usa os odores para causar reações viscerais há quase vinte anos.

O artista descobriu o poder dos cheiros bem cedo. Aos nove anos destilou grama do quintal de sua casa para fazer perfume e percebeu que a novidade deixava as pessoas mais felizes no ônibus.

Ele é apenas um dos diversos artistas contemporâneos que usam aromas para criar arte. E estas geram experiências pessoais, emotivas e até físicas.

Ciência explica o poder da identidade olfativa

Os pesquisadores dizem que o olfato tem uma vantagem indiscutível sobre os outros sentidos quando se trata de estimular respostas.

Há uma relação estreita entre o ponto no cérebro que processa o cheiro e onde as lembranças ficam armazenadas. É daí que vem aquela característica especial que distingue o olfato dos demais sentidos.

O bulbo olfatório, o feixe de neurônios que transmite as informações do nariz para o cérebro – faz parte do sistema límbico, que lida com as emoções, a memória de longo prazo e o fluxo de adrenalina.

Os cheiros geram sentimentos diversos, dependendo do primeiro contato que a pessoa tem com eles. O exemplo clássico é o da gaultéria, considerado muito agradável nos EUA, mas detestável no Reino Unido. Isso porque no primeiro caso é usado como ingrediente de balas e doces; no segundo, vira aroma de produto de limpeza sanitária ou remédio.

Um pouco da história da participação da identidade olfativa nas artes

Em 1902, um poeta e crítico de arte chamado Sadakichi Hartmann tentou usar perfume e um leque em um “concerto olfativo” em Nova York. Mais tarde, surgiu o Smell-o-Vision, método desenvolvido décadas depois para pulverizar aromas nas salas de cinema.

Atualmente, diversas obras utilizam equipamentos desenvolvimento especificamente para espalhar aromas de forma contínua e uniforme nos ambientes.

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