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Aromas, olfato e suas especificidades

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Diferenças culturais

Preferências por determinados aromas podem mudar conforme o país.

— No Brasil, a lavanda é associada com limpeza, pois muitos sabonetes antigos a utilizavam. Também tem um aspecto mais feminino por aqui. Na Europa, ela é totalmente masculina.

— Outro exemplo: aqui, é difícil alguém gostar do pinho, pois associamos com produto de limpeza. Na Europa, eles usam até na perfumaria.

Aroma da paixão

Esqueça os aplicativos de relacionamento ou a compatibilidade dos signos para encontrar o par perfeito. De acordo com um estudo realizado na Suíça, para determinar o match ideal é preciso ver a pessoa – ou melhor, cheirá-la. Conduzido pelo biólogo Claus Wedekind, que é professor da University of Lausanne e pesquisa questões como evolução humana e seleção natural e sexual, o famoso “T-shirt experiment”, divulgado na década de 1990, disse que a escolha dos parceiros poderia considerar os genes imunológicos de cada pessoa, característica que era percebida através dos odores corporais.

Para demonstrar sua teoria, o time fez o seguinte experimento: coletou o DNA de 49 mulheres e de 44 homens para análise dos genes. À ala masculina foi dada a orientação de vestir uma camiseta por duas noites consecutivas. Eles também deveriam evitar produtos de higiene e ambientes com muito cheiro para manter o aroma da roupa neutro. Às mulheres, foi dada a única recomendação de utilizar spray nasal para evitar infecções no órgão, o que poderia comprometer o teste.

Depois, seis peças de roupa usadas pelos homens foram passadas para as mulheres cheirarem e avaliarem os seguintes quesitos: intensidade, prazer e sensualidade. Os resultados mostraram que mulheres que não tomavam contraceptivos (ou seja, que talvez estivessem dispostas a engravidar) preferiram as roupas de homens com genes diferentes dos seus. Em termos de evolução, a combinação de genes diferentes garantiria uma vantagem imunológica maior.

Vivendo do nariz

— Cheire a vida e vá interpretando (os aromas) com calma — recomenda a farmacêutica Letícia Peres Oliveira, gerente de pesquisa e desenvolvimento da marca de cosméticos QOD.

Com nove anos de trabalho na área, ela diz que foram necessários cursos e muito treinamento para que hoje ela consiga identificar notas sutis em amaciantes de roupas, por exemplo. Na empresa, cuida da formulação de produtos e de como as fragrâncias se comportam.

Na prática, a missão de Letícia é conceber um produto desde que ele é apenas uma ideia. Ela participa de reuniões com a diretoria e o marketing da empresa para debater a “cara” que a novidade vai ter. Com base nessas informações, cria o perfil do produto e o envia para o fornecedor de fragrâncias. Deles é que vêm as sugestões de cheiros. Letícia testa todos eles nas bases dos produtos para ver como se comportam, verifica suas quantidades exatas e, em seguida, as amostras são testadas por toda a equipe para avaliação das fragrâncias.

— Na hora de avaliá-las, não consideramos a opinião de uma única pessoa, porque isso envolve gostos e memórias olfativas.

Após muita discussão, o time bate o martelo e, enfim, o cosmético entra na linha de produção.

Sentido desligado

Tamara Caspary, 72 anos, vê-se obrigada a pedir ajuda para uma empregada quando suspeita que alguma comida da geladeira possa estar estragada. Com sinusite crônica e pólipos no nariz, a aposentada não sente odores.

— O clima de Porto Alegre não ajuda muito. Quando viajo para lugares secos, o olfato volta — relata.

Para se adaptar na Capital, ela maneira no perfume – ou pede a opinião de alguém próximo para não cair no exagero – e não arreda o pé da cozinha enquanto prepara algo:

— Você tem de introduzir mudanças na vida. Não deixo panela no fogo porque pode queimar e eu não sentir o cheiro.

Como treinar seu olfato

O sentido pode ser aguçado de 30% a 50%. O treinamento deve ser diário, estendendo-se de de três meses a um ano, diz o otorrinolaringologista Renato Roithmann.

Orpheu Cairolli sugere um treino simples e prazeroso, feito em casa mesmo:

— A maneira mais agradável, por exemplo, é prestar atenção no cheiro dos alimentos como café, frutas, temperos, condimentos. Depois, preste atenção nos produtos de limpeza, nos produtos de higiene pessoal, no seus próprios perfumes e maquiagens.

Mas nem só de aromas agradáveis deve ser o treinamento. Cairolli recomenda observar cheiros ruins, que ajudam a desenvolver a capacidade de identificar vazamentos de gás e esgotos ou alimentos queimando. Na rua, vale conhecer desde o asfalto até a grama molhada.

Cuidar do olfato é fundamental para preservá-lo. Para isso, a recomendação básica é manter bons hábitos alimentares e de atividades físicas. Fora isso, evitar a exposição prolongada a odores tóxicos, como a fumaça do cigarro. Fugir do uso excessivo de descongestionantes nasais também é uma boa dica. Em vez desses produtos, use soro fisiológico para hidratar o nariz.

Fonte: Gaúcha ZH

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